Qualquer coisa tá massa?

 Todos os dias vemos discussões nas redes sociais sobre o que está errado no mercado do entretenimento , vemos diversas soluções sugeridas e nada muda. Hoje quero falar sobre uma parte dos vários problemas que ocorrem em nossa classe.

Agradeço quem chegou até este paragrafo, normalmente as pessoas desistem de longos textos antes mesmo do segundo parágrafo e para você que é inteligente, recomendo a leitura de outros textos que foram publicados aqui e que completam por demais este conteúdo:

- Feliz Ano Novo
- Eu não gosto de café
- Valores
- Seu caché – Como calcular e cobrar
- Especialização
- Sete hábitos que podem arruinar a sua carreira no Áudio
- Efeito Siri na Lata

Hoje quero focar na hipocrisia da prostituição. Muito se reclama daquele que está passando por NECESSIDADES e esquece que não é este o maior motivador da prostituição. Sobre passar por necessidades, é um outro assunto que desejo abordar em uma outra publicação, para não poluir por demais esta.

Temos um problema cultural sério, preferimos colocar a culpa em quem evidentemente está agindo fora dos padrões, que assumir os próprios erros. É mais fácil responder culpando alguém que aceitar estar errado.

 Falando sério, quem induz a CORRUPÇÂO do mercado somos nós, mesmo que não estejamos passando por necessidades e aceitamos a situação do titulo  “qualquer coisa tá massa”. Numa situação ideal as contas do mês já estão pagas , temos comida dentro de casa, não estamos SOBREVIVENDO de áudio e sim vivendo dele.

Pior ainda, é quando estamos presos a uma corrente de garantias, seja por salário, quantidade de eventos ou uma bela cartela de clientes, neste caso, é mais medíocre ainda o pensamento de “qualquer coisa” vale pra completar a renda mensal. Esta mentalidade podre de que já se está com a semana, mês ou ano garantido, de que “qualquer coisa” que entra é lucro, é uma tremenda burrice.

Se pensarmos bem, estamos acabando com o pouco respeito que tentamos conseguir como profissionais, deteriorando nosso nome ( que é a sua MARCA pessoal ), colocando literalmente um letreiro no pescoço: TRABALHO POR QUALQUER VALOR.

A partir da ideia de que “qualquer coisa” e o seu valor , você nunca se imporá no mercado , e isto fara com que você nunca receba um convite ou proposta de trabalho baseado no seu valor pessoal e sim pela média arbitrada pelo mercado. Por este motivo, tanto se valoriza o bife no prato alheio. Principalmente daqueles que conseguem pagas um pouco melhores da média do mercado.

Preste atenção, pelo conforto de ter as contas garantidas, e fazer freelas com valores sem critérios geralmente tem dois desdobramentos negativos:  O primeiro o seu patrão poderá ficar sabendo que voçe esta operando com cachés mais baixos que aquele pago por ele, e  entender que esta pagando muito pelos seus serviços.
O segundo este mesmo empregador lhe troca por outro prestador de serviço que tambem opera por ( qualquer coisa ) e voçe de volta ao mercado passa a receber um “qualquer coisa” ainda menor. Resumindo a situação toda gerou uma espiral negativa que leva sempre o custo da mão de obra para baixo.

Outro erro clássico e aceitar executar serviços EXTRAS por valores adicionais ou mesmo como diferencial para agradar ao seu contratante. Sinceramente e melhor trabalhar de graça pois além de receber pouco voçe ainda esta tirando a oportunidade de trabalho de outro profissional. Coisas como fazer PA e Monitor , Mixar o show e gravar multipistas e etc.. Atitudes como essa mudam a planilha de custos do seu contratante e para ele toda economia é válida. Pense bem ao aceitar um cafezinho por acumular funções.

Há  três anos que escrevi um texto que perguntava: Por quê é tão difícil falar de valores em nossa classe ( se voce for membro do GIGPLACE CLIQUE AQUI para ler ). Os poucos que comentaram me fizeram refletir bastante em entender que estou no caminho certo em achar que o problema maior não é com quem está em necessidade e sim com a falta de valorização.

A pouco dias  Lazzaro fez um comentário no Whatsapp:” E incrível,  como, em tempos de internet, onde estamos facilmente conectados uns com os outros, ainda temos dificuldades em arbitrar nosso valor. Ele ainda adicionou este link ACESSE AQUI , do Datafolha, com a precificação mínima para vários serviços de outras classes profissionais . O que me faz lembrar de seu comentário na publicação, do Gigplace, dizendo que nosso problema em falar de valores é por questão de desunião. Ao mesmo tempo que preferimos não comentar sobre o assunto, com medo (vergonha) de ser recriminado pela diferença (muitas vezes regional cultural), não falamos com receio de abrir oportunidade para outro oferecer por valor mais barato.

Todos os dias movimentos no sentido de sermos organizados e seguirmos um código de conduta padronizado, caem por terra, quando será que iremos acordar para nossos erros, Por quanto tempo mais nos iremos nos acomodar aos problemas, desistindo de lutar por uma unidade e organização da nos profissão. Se continuarmos desse jeito qual o futuro que nos aguarda ?

Foi assim com ABPAudio, foi assim com as Ligas e está sendo assim com as Reuniões  Técnicas (Segundas, Terças…). Quando é um dia de demonstração de produto o evento lota,mas quando o assunto e sério como cachés , discussão de posturas éticas poucos comparecem , ou seja se não existe conversa sobre posturas e condutas nada irá mudar.
Somente dizer que apoia uma ideia e não colocar ela na vida pratica do dia a dia , você é um colaborador para matar essa ideia.

Vejam o caso do Micro Empreendedor Individual, que em Dezembro próximo completará 03 anos mostra que juntos conseguimos mudar as coisas LEIA AQUI e saiba mais. Hoje já contamos com 9227 profissionais recebendo os beneficios inerentes de ser um Empreendedor Individual. E pasmem, conseguiram estragar nossas conquista também.
A cultura do “qualquer coisa” também contaminou esta iniciativa. Por “qualquer coisa” estão concordando em abrir mão dos direitos como trabalhador e sendo prejudicados pela Pejotização. Entenda o que é Pejotização CLIQUE AQUI  , sem falar do Registro Profissional, o que deveríamos enxergar como um dispositivo SÉRIO de separação ( niveis de experiencia do tipo ESTUDANTE, JUNIOR,SENIOR, MASTER  como e feito nas entidades reguladoras das classes profissionais como o  CREA, CRM, CRN, OAB, OMB…, acaba sendo motivo de chacota.

Acabei me desviando do foco da problemática apresentada. Voltando ao assunto inicial , acho que nosso futuro depende de nossas atitudes hoje. Finalizando, gostaria muito de ler comentários com indicações de como REALMENTE podemos corrigir tudo isto.

Tiago Borges