Efeito Rock N Rio

 E interessante o impacto que o festival causa no mercado do entretenimento brasileiro , tenho acompanhado nas redes sociais inúmeros comentários comparando os shows brasileiros e internacionais. Um misto de inveja construtiva e derrotismo se alterna na maioria dos comentários,

Vou tentar analisar o efeito Rock N Rio primeiro deixando claro que ELES criaram o show business e o mercado do entretenimento brasileiro ainda engatinha como uma criança de pouca idade , temos acesso a quase os mesmos equipamentos e informações mas o que nos difere e a maneira como utilizamos o que temos acesso, e o mais gritante, como fazemos a mesmas coisas que os gringos , primeiro ainda nos achamos “os” artistas, com EGOS maiores que Júpiter, e finalizando falta comprometimento com o produto final ou seja o Show em si , a primeira diferença gritante e que os GRINGOS tratam o show como um espetáculo , em que tudo foi planejado e é milimetricamente executado todos os dias. O brasileiro tem dentro de si , o JEITINHO mania de se adequar a qualquer situação e que por outro lado acaba deteriorando o produto final , e podemos ver isso em toda nossa industria inclusive na de entretenimento, outra praga do nosso modo de ser e o” imediatismo”, ainda precisamos aprender a pensar a longo prazo. Nossos empresários não acreditam na longevidade dos seus artistas, mesmo os sucessos POP da atualidade , acredito que os leitores imaginam quem são varrem o país numa corrida louca caça níqueis que está longe do que chama uma turnê , shows sem conteúdo além da musica , o kit LED, fogos e bailarinos, não geram o impacto de um show roteirizado e criado para impactar o espectador.

Por outro lado os empresários e contratantes gastam o mínimo para viabilizar o evento , que muitas vezes precisa começar na madrugada , reparem que você faz a passagem de som num dia e o show acontece no outro, isso para que o bar venda muita cerveja, ter um show complexo na estrada que demande uma montagem demorada está fora de cogitação, o advento das consoles digitais que em outros mercados propiciou o aumento de complexidade da sonoridade dos espetáculos por aqui serviu para que o tempo de passagem de som diminuísse pois “ você tem a cena da console , e só chegar e espetar o pendrive que o show tá pronto né ?”

Já os aristas alguns deles ficam frustrados quando veem os grandes astros fazerem um show impecável num festival como o ROQUINRIO e em alguns casos passam por uma ressaca moral pós show querendo entender o porque não conseguem fazer o mesmo. Mas esquecem que uma turnê americana passa por uma concepção cênica feita por pessoas que fazem isso a anos , e não parentes e amigos próximos que acham que entendem de fazer shows. Depois da concepção técnicos viabilizam as ideias , muitas vezes criando aparatos e traquitanas que possam ser montadas e desmontadas rapidamente , depois são feitos exaustivos ensaios técnicos para que tudo funcione como uma maquina bem azeitada, com planos “B” e peças reservas para que tudo funcione perfeitamente só então o show vai para estrada. Um detalhe as equipes não são pequenas nem mal remuneradas e todos estão comprometidos totalmente para que o espetáculo aconteça.

O RNRIO vai passar e todos os comentários serão esquecidos e tudo ficará como antes no mercado de entretenimento brasileiro até o próximo grande festival aqui na terra dos TUPINIQUINS.

16.09.13